Páginas

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Proposta regulamenta profissão de gestor ambiental

       A Câmara analisa o projeto de lei 2664/11, do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), que regulamenta a profissão de gestor ambiental - profissional responsável, entre outras atividades, pela elaboração de políticas ambientais, pareceres e projetos ambientais ou de desenvolvimento sustentável; avaliação de impactos ambientais; e licenciamento ambiental.
       A proposta determina que o gestor ambiental deverá ter diploma de graduação em gestão ambiental, mas garante o direito dos profissionais que já atuem na área na data da publicação da lei.
       O gestor ambiental também será responsável por educação ambiental, gestão de resíduos, assessoria ambiental, recuperação de áreas degradadas, planos de manejo e avaliação ambiental, entre outros.

      Para Arnaldo Jardim, a regulamentação da profissão vai reparar uma distorção presente nas políticas públicas para a área. Ele ainda ressalta que há 13 anos já existe um curso superior voltado especificamente para a gestão ambiental.

Propriedade intelectual
      A proposta também garante aos gestores ambientais a propriedade intelectual do seu trabalho, ao assegurar a autoria de planos ou projetos ambientais ao gestor ambiental que os elaborar, respeitadas as relações entre o autor e os outros interessados.
      Assim, as placas ou identificações públicas de um empreendimento ambiental deverão mencionar o gestor ambiental participante do projeto. O autor do projeto também terá direito a quaisquer prêmios ou distinções honoríficas concedidas ao trabalho.

Tramitação
       O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público e Constituição e Justiça e de Cidadania.

Imagem: Arnaldo Jardim; medida vai corrigir distorção da legislação sobre meio ambiente.
Fonte: Agência Câmara de notícias.
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/207989-PROPOSTA-REGULAMENTA-PROFISSAO-DE-GESTOR-AMBIENTAL.html

Reportagem – Carol Siqueira
Edição – Paulo Cesar Santos



Katiussa Cipriani 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mato-grossenses comemoram o Dia do Rio Paraguai


14 de novembro celebra mobilização em defesa do rio e do povo pantaneiro


Daniela Torezzan / ICV

O movimento em defesa do rio Paraguai e do povo pantaneiro está completando onze anos de mobilização popular hoje, 14 de novembro. A data marca um momento histórico de resistência à instalação da hidrovia Paraguai-Paraná, marcada para acontecer na mesma data no ano de 2000. O que deveria ser uma audiência pública no processo de instalação da obra, transformou-se numa grande manifestação popular e o projeto, a partir da intervenção da sociedade junto ao Ministério Público, está embragado na justiça desde então.

Apesar do embargo, o projeto não foi encerrado. De acordo com Isidoro Salomão, do Fórum de Lutas das Entidades de Cáceres (FLEC) a proposta está sendo reescrita. “A primeira proposta da hidrovia, que era fazer um canal, nós conseguimos extinguir, mas ainda há uma nova pro posta que estão formatando que não nos apresentaram,” revelou.

Este ano, as organizações que se articulam na mobilização em defesa do rio querem dar um passo além: criar um comitê gestor da bacia do Rio Paraguai. A proposta foi lançada hoje, em Cáceres, durante um dos eventos que celebra a data. (confira aqui a programação completa)

Para Alonso Batista, que também faz parte do FLEC, essa formalização será um passo muito importante na luta pela defesa do rio. “O comitê é o órgão máximo de defesa de um rio e entendemos que ele vai ser importante para controlar os empreendimentos de infraestrutura e forçar a criação de políticas públicas necessárias para a preservação e proteção para a região”, ressaltou.

João Andrade, coordenador do programa Governança Florestal, do Instituto Centro de Vida (ICV) participou do ato e ressaltou a importância do movimento. "É um movimento legítimo para axigir a criação do comitê de bacias pois agrega agricultores familiares, ongs, Ministério Público, populações tradicionais. A grande dificuldade atualmente é ter o envolvimento da sociedade civil nesses assuntos e, neste caso, a sociedade é que está demandando uma ação. Isso é um exemplo", disse.

Durante o evento público, o coordenador falou sobre uma das questões atuais que ameaça o rio: os impactos que as alterações no Código Florestal trarão na gestão e conservação das águas. Segundo João Andrade, as propostas afetam diretamente a qualidade e quantidade de água, principalmente por cusa da redução das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e pela falta de obrigatoriedade de recuper áreas degradadas e desmatadas irregularmente. "Essa condição vai afetar não só o  Brasil, mas outros países banhados pela bacia", afirmou.

O rio Paraguai

A Bacia do rio Paraguai, com todos os seus afluentes, tem uma área total de 1.100.000 quilômetros quadrados e abrange os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul bem como três países vizinhos: Argentina, Paraguai e Bolívia.
Foto: Ana Maio  (Embrapa Pantanal)

O rio Paraguai é o principal rio deste conjunto. Nasce em território brasileiro, na Chapada dos Parecis, em Mato Grosso, com o nome de “Paraguaizinho” e percorre cerca de 2600 quilômetros até a sua foz no rio Paraná. Desse total, 1300 quilômetros são margens exclusivamente brasileiras, 48 de soberania compartilhada com a Bolívia e 332 quilômetros de margens entre Brasil e Paraguai.


terça-feira, 8 de novembro de 2011

CONEXÕES ECOLÓGICAS PRESERVAM ESPÉCIES EM ABROLHOS


         
Foto:Charles Young

O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos
foi o local de estudo das relações
conectivas entre os peixes e a vegetação
marinha.




    Um mapeamento até então desconhecido do ciclo de vida de uma importante espécie de peixe para o país demonstra que a conectividade entre manguezais e recifes é essencial para sua sobrevivência. Conduzido ao longo de um ano por pesquisadores do Brasil e exterior, com apoio da Conservação Internacional (CI-Brasil), o estudo apresentou pela primeira vez os padrões de movimentação do vermelho (Lutjanus jocu) através de diferentes hábitats na Região dos Abrolhos, o maior e mais biodiverso complexo recifal do Hemisfério SulA descoberta, publicada recentemente na revista Estuarine, Coastal and Shelf Science, oferece informações-chave para o manejo da espécie, que já apresenta acentuado declínio em seus estoques.
         A pesquisa mostra que o tamanho do vermelho é menor nos estuários, intermediário nos recifes costeiros e maior na área do Parque Nacional Marinho (Parnam) dos Abrolhos, indicando que a espécie migra ao longo da plataforma continental na medida em que cresce. Confirmando o estudo recém publicado, dados provenientes da pesca comercial revelam que os maiores peixes, entre 70 e 80cm, são encontrados em recifes ainda mais profundos e afastados da costa. Foram investigadas 12 áreas que representam diferentes hábitats costeiros e recifais, abrangendo a Reserva Extrativista (Resex) de Cassurubá, os recifes Parcel das Paredes e Sebastião Gomes e o Parnam dos Abrolhos. 
Segundo Guilherme F. Dutra, diretor do Programa Marinho da CI-Brasil, apesar de a conectividade entre ambientes costeiros e marinhos ser bastante difundida e aceita, poucos trabalhos foram exitosos em demonstrá-la de maneira efetiva. “Esse é o primeiro estudo que consegue provar a relação entre manguezais e recifes para essa espécie que tem grande importância comercial”, comemora.
Ciclo desprotegido - As novas informações sobre o ciclo de vida do vermelho alertam para a condição de vulnerabilidade da espécie cujos estudos recentes indicam redução nos estoques no Banco dos Abrolhos devido à sobrepesca. Segundo informações dos desembarques, são capturados pelo menos 3.000 toneladas da espécie por ano nessa região, numa atividade que envolve cerca de 20 mil pescadores.

“As medidas de manejo adotadas para assegurar a exploração sustentável dos vermelhos não são suficientes”, salienta 
Rodrigo Moura, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz e um dos co-autores do estudo. Ele explica que atualmente não há qualquer restrição às capturas dos adultos durante a fase reprodutiva – entre junho e setembro – ou tamanhos mínimos de comercialização que assegurem que os peixes capturados tenham completado pelo menos um ciclo reprodutivo, o que ocorre acima de 35cm.
Para chegar até a idade adulta, o dentão precisa de refúgio em manguezais e recifes próximos à costa, mesmo em áreas liberadas para pesca. “Uma vez que a espécie migra através da plataforma continental, está claro que áreas protegidas em unidades isoladas, tais como o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, não são efetivas para proteger as diversas etapas do ciclo de vida”, enfatiza Moura. “Isso comprova que é muito importante que tenhamos uma rede de áreas protegidas na região dos Abrolhos que esteja funcionando de forma integrada para de fato dar condições a essas espécies sobreviverem”, completa Dutra.
Para Ronaldo Francini-Filho, co-autor do estudo e professor da Universidade Federal da Paraíba, além dos instrumentos de proteção contra a pesca predatória serem insuficientes, os estuários e manguezais no Brasil têm sido crescentemente impactados pela expansão urbana, portuária e de atividades agroindustriais altamente degradadoras, tais como a carcinicultura (criação de camarões de água salgada). “O que vem ocorrendo nestes locais evidencia claramente as críticas lacunas de proteção e manejo”.
Esta pesquisa soma-se a outros trabalhos empreendidos na Região dos Abrolhos e que integram um esforço conjunto entre o meio científico e a Conservação Internacional para aprofundar o conhecimento sobre a sua riqueza biológica da e oferecer ferramentas para o uso sustentável e a conservação de sua biodiversidade. “A ciência tem apontado soluções e caminhos para que as pescarias marinhas se transformem em uma atividade geradora de riqueza com sustentabilidade. Apesar disso, a incorporação dessas lições pelas agências responsáveis pelo setor pesqueiro tem sido excessivamente lenta”, avalia Francini-Filho.







Sobre a espécie Lutjanus jocu - Associado aos ambientes rochosos e coralinos, o dentão - ou vermelho - é um dos mais importantes recursos pesqueiros capturados em ecossistemas recifais no Atlântico Ocidental. Das 19 espécies da família Lutjanidade que ocorrem no Brasil, a espécie estudada está entre as cinco mais importantes para a pesca. Apesar de sua importância e ampla distribuição, com ocorrência da Flórida ao sudeste brasileiro, havia pouco conhecimento sobre o ciclo de vida da espécie, inclusive sobre seu deslocamento através de diferentes ecossistemas marinhos e costeiros, dificultando o estabelecimento de políticas adequadas de manejo e conservação da espécie.
Os autores

• Rodrigo Leão de Moura - Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade, Universidade Estadual de Santa Cruz moura.uesc@gmail.com – (73) 8803-2724 begin_of_the_skype_highlighting            (73) 8803-2724      end_of_the_skype_highlighting

• Ronaldo Bastos Francini-Filho - Departamento de Engenharia e Meio Ambiente da Universidade Federal da Paraíba - rofilho@yahoo.com– (83) 8827-4458
• Carolina Viviana Minte-Vera - Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura/Departamento de Biologia da Universidade Estadual de Maringá – cminte@nupelia.uem.br - (44) 3011 4622
• Eduardo M. Chaves, Programa de Pós-Graduação em Sistemas Aquáticos Tropicais, Universidade Estadual de Santa Cruz
• Kenyon C. Lindeman, Departamento de Sistemas Marinhos e Ambientais, Instituto de Tecnologia da Flórida
Financiamento

O estudo foi financiado pelo Programa “Ciência para a Gestão de Áreas Marinhas Protegidas” (MMAS, da sigla em inglês) - uma iniciativa da Conservação Internacional que busca contribuir para o planejamento, diagnóstico e monitoramento de Áreas Marinhas Protegidas, aliando conhecimento científico e práticas de conservação - que tem o patrocínio da Fundação Gordon e Betty Moore.

Contou também com o suporte financeiro do Conservation Leadership Programme, da National Geographic Society, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq).
Os pesquisadores fazem parte da Rede Abrolhos, uma iniciativa financiada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia no âmbito do Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota), visando ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e melhorar a capacidade de resposta a mudanças globais, associando as pesquisas à formação de recursos humanos, educação ambiental e divulgação científica. O trabalho de divulgação recebeu o apoio financeiro da Fondation Veolia Environnement.
## 

A íntegra do artigo, mapas da área em estudo e fotos da região dos Abrolhos 
estão disponíveis na Conservação Internacional mediante solicitação.
##

Link para fotos : http://www.conservacao.org/selecao_fotos_abrolhos.zip  (Tamanho: 20MB)


Para mais informações:

Isabela Santos – Comunicação da Conservação Internacional –i.santos@conservacao.org– (31) 3261-3889 begin_of_the_skype_highlighting            (31) 3261-3889      end_of_the_skype_highlighting

Gabriela Michelotti – g.michelotti@conservacao.org – 61 3226 2491
João Paulo Mariano – j.souza@conservacao.org  - 61 3226 2491 (Ramal - 120)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Senado aprova projeto que estabelece competências de entes da Federação na área ambiental!


Os senadores aprovaram, nesta quarta-feira (26), o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 1/10, que regulamenta a competência da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios quanto à proteção, ao uso e à conservação dos recursos naturais. Por ser um projeto de lei complementar, a matéria precisava de quórum qualificado (41 votos favoráveis) e obteve 49 votos a favor, 7 contrários e uma abstenção. Agora segue para sanção presidencial.
O projeto é de autoria do deputado federal Sarney Filho (PV-MA) e foi proveniente de comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigou o tráfico ilegal de animais e plantas silvestres. Como foi alterado por meio de um substitutivo, o deputado posteriormente chegou a negar apoio à sua aprovação. O assunto - competência dos entes federativos em questões ambientais - também é tratado na revisão do Código Florestal (PLC 30/11), que tramita, atualmente, nas Comissões de Agricultura (CRA) e Ciência e Tecnologia (CCT). 
Fiscalização
Pelo texto do PLC 1/10, o foco da atuação dos órgãos ambientais dos respectivos entes federados - conforme parecer favorável da senadora Kátia Abreu (PSD-TO) aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) em maio do ano passado - deverá ser a política de licenciamento e fiscalização ambiental. A meta será oferecer segurança jurídica na exploração racional e sustentável dos recursos naturais.
O projeto detalha as competências administrativas específicas da União, dos estados e dos municípios. Como exemplos, pode-se citar a responsabilidade da União promover o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades militares e relativos a material radioativo; a dos estados em elaborar o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) no âmbito de seu território; e a dos municípios em aprovar a supressão e o manejo de vegetação em empreendimentos licenciados ou autorizados, ambientalmente, pela administração local.
Empreendimentos e atividades serão licenciados ou autorizados ambientalmente por um único ente federativo, facultadas manifestações dos demais afetados pela iniciativa. Na inexistência de órgão ambiental capacitado ou conselho de meio ambiente nas esferas estadual ou municipal, caberá à União desempenhar as ações administrativas demandas nessas localidades até sua criação. 
Polêmica
Durante a discussão da matéria em Plenário, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) apresentou questão de ordem sobre a constitucionalidade de emenda de redação apresentada pelo relator da matéria em Plenário, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Segundo Randolfe, a emenda de Jucá melhorou o teor do projeto, mas, ao contrário do que dissera o relator, mexeu no mérito e não meramente na redação da matéria. Para ele, ao ser aprovado com o texto proposto por Jucá, o PLC 1/10 deveria voltar à Câmara. Chamado pela Mesa para dirimir a dúvida, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) discordou de Randolfe, considerando que o mérito da proposta não chegava a ser alterado.
O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que preside a Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado, se pronunciou contra o projeto por avaliar que retira competência de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Para ele, o texto vai na contramão da discussão em torno do novo Código Florestal no Senado, de busca de um consenso que leve em conta a necessidade de preservação.
- De fato, [a emenda de Jucá] melhora muito a redação que veio da Câmara, que era catastrófica. Simplesmente poderíamos fechar o Ibama se prevalecesse aquela redação original, mas entendo que essa redação ainda não é adequada e por isso voto contra - disse Rollemberg, para quem o texto permitirá, por exemplo, que uma grande multa do Ibama por crime ambiental seja descartada, se o órgão ambiental do município em que o dano ocorreu vier a dar uma multa irrisória. Ele teve apoio de seu colega de partido, Antonio Carlos Valadares (SE), de Paulo Davim (PV-RN) e do próprio Randolfe Rodrigues.
Já a senadora Kátia Abreu, que preside a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), considerou o projeto um dos maiores avanços na questão ambiental que o Congresso votou nos últimos anos. Para ela, não haveria diferença de eficiência entre o órgão federal de fiscalização e os demais, de estados e municípios.
- Todo mundo sabe que, numa empresa, em qualquer lugar do mundo, não pode haver dois patrões e muito menos três patrões. Hoje o povo brasileiro tanto na cidade quanto no campo está vivendo uma tortura de fiscalização e multas dos três órgãos ambientais, municipais, estaduais e federais - disse Kátia Abreu.
Ela foi apoiada pelos senadores Waldemir Moka (PMDB-MS), Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Jayme Campos (DEM-MT). Com exceção dos líderes do PSOL, do PV e do PSB, todos os demais líderes partidários declaram voto favorável ao PLC 1/10.
Da Redação / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011


Brasil reciclou cerca de 20% dos plásticos pós-consumo 
no ano de 2010

No ano, o país registrou 738 recicladoras de plásticos que faturaram juntas, em 2010, R$ 195 bilhões e que geraram 18,3 mil empregos diretos.

Pesquisa encomendada pela Plastivida Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos, desenvolvida com base em 2010, aponta que, no período, foram reciclados no Brasil 19,4% dos plásticos pós-consumo, ou seja, 953 mil toneladas. No ano anterior, a marca foi de 17,9%. Mostra também que a região Sudeste foi a que mais reciclou esse tipo de material em 2010 (60%), seguida, pela ordem, das regiões Sul (26%), Nordeste (11%), Centro-Oeste (2%) e Norte (1%).

No ano, o Brasil registrou 738 recicladoras de plásticos, sendo que 44% registradas no estado de São Paulo, 12% no Rio Grande do Sul, 9% em Minas Gerais, 7% no Rio de Janeiro, 7% em Santa Catarina, 5% no Paraná, 4% na Bahia e 3% em Goiás. Os 9% restantes foram registrados nos demais estados brasileiros. Essas empresas faturaram juntas, em 2010, R$ 195 bilhões, 5,2% a mais que em 2009. Delas foram gerados 18,3 mil empregos diretos no período.

A pesquisa também apontou quais os segmentos que mais consumiram plásticos reciclados no ano passado. Os bens de consumo foram os maiores demandantes do produto: os semiduráveis (utilidades domésticas, segmento têxtil, brinquedos, descartáveis, limpeza doméstica, calçados e acessórios), demandaram 49,5% dos plásticos reciclados em 2010. Os bens de consumo duráveis (automobilístico, eletroeletrônico, móveis, entre outros), consumiram 19,6%. A construção civil absorveu 15,1% do total, a área Industrial 2,6%, a Agropecuária 1,2% e outras aplicações 12%.

O nível operacional médio da indústria brasileira de reciclagem de plásticos, em 2010, foi de 64,5% da capacidade instalada, que é de 1,5 milhão de toneladas. A pesquisa mostra que esse fator é um reflexo da estrutura de coleta seletiva no Brasil. Dos 5.565 municípios brasileiros, apenas 443, ou seja, 8% contam com coleta seletiva estruturada.

O presidente da Plastivida, Miguel Bahiense, acredita que a educação - a disseminação dos conceitos de consumo responsável, reutilização dos produtos e destinação adequada dos resíduos, entre eles os plásticos - é o canal mais eficaz para que toda a sociedade – população, indústria, poder público – compreenda seu papel em prol da sustentabilidade. “É por meio da educação que vamos conseguir aproveitar melhor os recursos, gerar economia e garantir a preservação ambiental”, afirma o executivo.

Em 2010, o Brasil ficou na nona posição mundial na reciclagem dos plásticos, atrás da Alemanha (34%), Suécia (33,2%), Bélgica (29,2%), Noruega (25,7%), Suíça (24%), Itália (23%), Eslovênia (21,4%) e Dinamarca (21%). A média da União Européia no ano foi de 21%.


A pesquisa anual sobre a reciclagem dos plásticos foi desenvolvida pela Maxiquim, consultoria especializada no segmento industrial, de acordo com metodologia do IBGE.


Info. Katiussa Cipriani

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

EDUCAR PARA A CELEBRAÇÃO DA VIDA E DA TERRA

 (Leonardo Boff)

Dada a crise generalizada que vivemos atualmente, toda e qualquer educação deve incluir o cuidado para com tudo o que existe e vive. Sem o cuidado, não garantiremos uma sustentabilidade que permita o planeta manter sua vitalidade, os ecossistemas, seu equilíbrio e a nossa civilização, seu futuro. Somos educados para o pensamento crítico e criativo, visando uma profissão e um bom nivel de vida, mas nos olvidamos de educar para a responsabilidade e o cuidado para com o futuro comum da Terra e da Humanidade. Uma educação que não incluir o cuidado se mostra alienada e até irresponsável. 
Os analistas mais sérios da pegada ecológica da Terra nos advertem que se não cuidarmos, podemos conhecer catástrofes piores do que aquelas vividas em 2011 no Brasil e no Japão. Para se garantir, a Terra poderá, talvez, ter que reduzir sua biosfera, eliminando espécies e milhões de seres humanos
Entre tantas excelências, próprias do conceito do cuidado, quero enfatizar duas que interessam à nova educação: a integração do globo terrestre em nosso imaginário cotidiano e o encantamento pelo mistério da existência. Quando contemplamos o planeta Terra a partir do espaço exterior, surge em nós um sentimento de reverência diante de nossa única Casa Comum. Somos insepráveis da Terra, formamos um todo com ela. Sentimos que devemos amá-la e cuidá-la para que nos possa oferecer tudo o que precisamos para continuar a viver.
A segunda excelência do cuidado como atitude ética e forma de amor é o encantamento que irrompe em nós pela emergência mais espetacular e bela que jamais existiu no mundo que é o milagre, melhor, o mistério da existência de cada pessoa humana individual. Os sistemas, as instituições, as ciências, as técnicas e as escolas não possuem o que cada pessoa humana possui: consciência, amorosidade, cuidado, criatividade, solidariedade, compaixão e sentimento de pertença a um Todo maior que nos sustenta e anima, realidades que constituem o nosso Profundo.
Seguramente não somos o centro do universo. Mas somos aqueles seres, portadores de consciência e de inteligência. pelos quais o próprio Universo se pensa, se conscientiza e se vê a si mesmo em sua esplêndida complexidade e beleza. Somos o universo e a Terra que chegaram a sentir, a pensar, a amar e a venerar. Essa é nossa dignidade que deve ser interiorizada e que deve imbuir cada pessoa da nova era planetária.  Devemos nos sentir orgulhosos de poder desempenhar essa missão para a Terra e para todo o universo. Somente cumprimos com esta missão se cuidarmos de nós mesmos, dos outros e de cada ser que aqui habita Talvez poucos expressaram melhor estes nobres sentimentos do que o exímio músico e também poeta Pablo Casals. Num discurso na ONU nos idos dos anos 80 dirigia-se à Assembléia Geral pensando nas crianças como o futuro da nova humanidade. Essa mensagem vale também para todos nós, os adultos. Dizia ele:
A criança precisa saber que ela própria é um milagre, saber, que desde o início do mundo, jamais houve uma criança igual a ela e que, em todo o futuro, jamais aparecerá outra criança como ela. Cada criança é algo único, do início ao final dos tempos. E assim a criança assume uma responsabilidade ao confessar: é verdade, sou um milagre. Sou um milagre do mesmo modo que uma árvore é um milagre. E sendo um milagre, poderia eu fazer o mal? Não. Pois sou um milagre. Posso dizer Deus ou a Natureza, ou Deus-Natureza. Pouco importa. O que importa é que eu sou um milagre feito por Deus e feito pela Natureza. Poderia eu matar alguém? Não. Não posso. Ou então, um outro ser humano que também é um milagre como eu, poderia ele me matar? Acredito que o que estou dizendo às crianças, pode ajudar a fazer surgir um outro modo de pensar o mundo e a vida. O mundo de hoje é mau; sim, é um mundo mau. E o mundo é mau porque não falamos assim às crianças do jeito que estou falando agora e do jeito que elas precisam que lhes falemos. Então o mundo não terá mais razões para ser mau.
Aqui se revela grande realismo: cada realidade, especialmente, a humana é única e preciosa mas, ao mesmo tempo, vivemos num mundo conflitivo, contraditório e com aspectos terrificantes. Mesmo assim, há que se confiar na força da semente. Ela é cheia de vida. Cada criança que nasce é uma semente de um mundo que pode ser melhor. Por isso, vale ter esperança. Um paciente de um hospital psiquiátricoque visitei, escreveu, em pirografia, numa tabuleta que ma deu de presente:”Sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano”.
Nada mais é necessário dizer, pois nestas palavras se encerra todo o sentido de nossa esperança face aos males e às tragédias deste mundo.

Leonardo Boff é autor de “Cuidar da Terra-proteger a vida”, Record, Rio de Janeiro 2010.

 Katiussa Cipriani

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sema concluirá Plano de Manejo de quatro importantes Unidades de Conservação do Estado o Grosso


Os estudos realizados apontaram, por exemplo, novas espécies endêmicas de macaco do gênero Callicebus (Zogue-Zogues)

        zogue-zogue (Callicebus caquetensis) Divulgação


A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) por meio da Coordenadoria de Unidades de Conservação (Cuco) subordinada a Superintendência de Biodiversidade (Subio) em parceria com o WWF/Brasil, uma ONG brasileira, iniciou nesta terça-feira (23.08), às 09 horas, no Auditório Pantanal, uma Oficina Técnica de Planejamento com o objetivo de finalizar a elaboração do Plano de Manejo de quatro Unidades de Conservação (UCs) estaduais localizadas na região Noroeste de Mato Grosso.
Com a participação de 15 pessoas, entre técnicos da Sema, representantes e moradores da Reserva Extrativista Guariba Roosevelt (Resex), técnicos do projeto Pacto das Águas e representantes do WWF-Brasil e da empresa Mapasmut (Técnica, Natureza e Sociedade), a oficina de revisão final dos encartes sobre os Planos de Manejo das UCs será finalizado às 12 horas dessa sexta-feira (26.08).
A elaboração dos Planos de Manejo para essas UC's surgiram de uma parceria, viabilizada na gestão do secretário da pasta, Alexander Torres Maia, entre Sema e WWF-Brasil, por meio de um Termo de Cooperação Técnica firmado em 2010 para fortalecer o sistema de UCs estaduais em Mato Grosso.
"Esses Planos de Manejo são instrumentos técnicos e orientativos para implementação efetiva da gestão nessas quatro Unidades de Conservação, consideradas prioritárias para o Estado de MT", pontuou o coordenador de Unidades de Conservação da Sema, Alexandre Batistella.
Os estudos realizados apontaram, por exemplo, novas espécies endêmicas de macaco do gênero Callicebus (Zogue-Zogues) na região da Resex Guariba/Roosevelt, assim como identificaram grande diversidade de vegetação, possibilitando também, o mapeamento da potencialidade de uso tradicional pelos extrativistas.
Para o coordenador das Atividades de Bloco na região do mosaico da Amazônia Meridional pelo WWF-Brasil, Samuel Tararan, "é de grande importância a articulação e aproximação com a realidade local, de forma a podermos aprofundar o conhecimento sobre as oportunidades e problemas dos atores da região e parcerias como esta são fundamental para qualquer gestão de UCs".
De acordo com Batistella, esta é a última etapa para a conclusão dos Planos de Manejo, um documento fundamental para a implementação das UC´s Reserva Extrativista Guariba Roosevelt, Parque Estadual do Tucumã e as Estações Ecológicas do Rio Roosevelt e Madeirinha.
Concluída esta de revisão dos Planos de Manejo, os mesmos serão encaminhados para publicação, por meio de Portaria. Com isso eles terão valor legal e técnico para que possam ser operacionalizados. A expectativa é de que as Portarias possam ser publicadas no Diário Oficial do Estado num prazo de 30 a 40 dias.

Fonte: Midia News