Páginas

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Concurso elege espécies-símbolo


Foto:Tangara fastuosa(Divulgação)




O  pássaro pintor-verdadeiro(foto) e a arara-canindé foram escolhidos para representar o programa Produzir e Conservar nos corredores de biodiversidade da Mata Atlântica do Nordeste e do Cerrado no oeste baiano, respectivamente




Quase 1.500 pessoas que vivem nos corredores de biodiversidade da Mata Atlântica do Nordeste e do Cerrado no Oeste baiano se engajaram no concurso cultural para a escolha de espécies-símbolo para o programa Produzir e Conservar.


O programa, uma iniciativa da Conservação Internacional (CI-Brasil), com o apoio de parceiros locais e da Monsanto, atua nos corredores Nordeste de Biodiversidade e Jalapão-Oeste da Bahia, no Cerrado. Ambos os corredores se encontram ameaçados pelo avanço da fronteira agrícola e pela expansão de áreas urbanas. No âmbito do programa destacam-se ações de conservação de biodiversidade e de engajamento da população local. O concurso da espécie-símbolo faz parte dessa estratégia, que busca levar conhecimento sobre a biodiversidade local aos moradores da região, além de promover educação ambiental e mobilizar as pessoas em prol da natureza.


A escolha do pássaro pintor-verdadeiro como espécie-símbolo do programa na Mata Atlântica do Nordeste foi realizada por meio de uma votação pela Internet, organizada em parceria com as ONGs Associação para a Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (AMANE) e Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN). Os internautas moradores das áreas de Mata Atlântica do corredor do Nordeste, que compreende os estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, puderam escolher entre três espécies criticamente ameaçadas de extinção: o macaco-prego-galego (Cebus flavius); o pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa) e o limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi).


Os três animais foram previamente escolhidos pela equipe de especialistas em biodiversidade das organizações realizadoras do concurso. A votação, que durou quatro meses, recebeu um total de 894 votos, sendo que o macaco-prego-galego recebeu 303 votos e o limpa-folha-do-nordeste obteve 91 votos. O pintor-verdadeiro foi o mais votado, com 500 votos.


“A ideia do concurso foi despertar um sentimento de orgulho nas pessoas através do conhecimento das espécies que só existem na Mata Atlântica do Nordeste”, comenta Dorinha Melo, diretora da AMANE.


Para Severino Rodrigo, diretor de Projetos do CEPAN, a Floresta Atlântica ao norte do rio São Francisco só tem a ganhar com essa iniciativa.  “Sua importância será mais lembrada através da escolha de uma dessas espécies-símbolo, as quais possuem cada uma sua importância biológica ímpar para esse bioma, principalmente devido ao alto grau de ameaça que essa floresta vem sofrendo ao longo dos séculos”, comenta.


“A escolha da espécie-símbolo por concurso para os biomas onde atuamos foi fundamental para reforçar o engajamento das populações locais e equipes das entidades envolvidas. Essa integração é a base para a perenidade do Programa Produzir e Conservar”, destaca Gabriela Burian, gerente de Sustentabilidade da Monsanto.


A Mata Atlântica do Nordeste é uma das regiões mais críticas do bioma e ao mesmo tempo ainda apresenta várias espécies endêmicas, ou seja, não encontradas em nenhuma outra parte do planeta. Essa porção de mata, localizada acima do rio São Francisco, é considerada uma área prioritária para conservação da biodiversidade e para prevenir o desaparecimento de numerosas espécies, incluindo o macaco-prego-galego, o pintor-verdadeiro e o limpa-folha-do-nordeste. A região necessita de ações urgentes de conservação.


Cerrado do oeste baiano – No corredor de biodiversidade Jalapão-Oeste da Bahia , que compreende uma área de 9,6 milhões de hectares de Cerrado distribuídos por 38 municípios, a votação foi realizada por meio de uma exposição fotográfica itinerante, que passou por sete cidades (seis delas na Bahia, incluindo a capital, Salvador).  Em quatro dessas cidades (Barreiras, São Desidério, Santa Rita de Cássia e Formosa), os visitantes puderam votar em quatro animais: o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, a arara-canindé e a ema, todas espécies ameaçadas de extinção. A arara-canindé foi a vencedora, com 245 votos. O lobo-guará recebeu 114 votos, o tamanduá-bandeira, 97 votos, e a ema, 70 votos.


As quatro espécies que concorriam foram previamente escolhidas pela equipe de especialistas em biodiversidade das organizações realizadoras do concurso, e a exposição apresentava 30 painéis fotográficos clicados sob a supervisão do fotógrafo Adriano Gambarini, durante uma oficina que durou cinco dias. Nesse período, foram percorridos 900 km nos municípios de Barreiras, Luis Eduardo Magalhães, Formosa, Santa Rita e São Desidério, para registrar cenas da natureza e da vida social, passando por cinco comunidades tradicionais (Assentamento Rio de Ondas, Peixe, São Marcelo, Cacimbinha e Vereda do Gado), além de unidades de conservação.


Os 30 painéis foram escolhidos entre mais de sete mil fotos, e puderam ser vistos por cerca de 6 mil pessoas durante a exposição itinerante.

“Esse projeto foi muito importante para valorizar a fauna e a flora do Cerrado para a população local, que se constitui basicamente de pessoas que vieram de outros estados, como Rio Grande do Sul e Paraná, durante a recente expansão da fronteira agrícola na região”, afirma Valmir Ortega, diretor do programa Cerrado-Pantanal da CI-Brasil.


Foram promovidos sorteios ao final do concurso. Na Mata Atlântica, a internauta Maria Lima Vital, de Recife (PE), foi sorteada e ganhou o livro ‘Hotspots Revisitados’, que contém uma análise detalhada das 34 regiões, com dados sobre a diversidade dos grupos de flora e fauna, as espécies-bandeira, as ameaças e ações de conservação em andamento. “Fiquei muito feliz de saber que fui sorteada, é bom fazer parte da criação de um símbolo da Mata Atlântica, da preservação e da perseverança”, afirmou Maria.


No corredor do Cerrado, a sorteada foi Laretysa Rocha Dias, que ganhou um pôster do animal vencedor, a arara-canindé.


Conheça mais sobre as espécies que participaram da votação:


Corredor da Mata Atlântica do Nordeste


O macaco-galego ou macaco-prego-galego (Cebus flavius) ocorre na zona da mata ao norte do rio São Francisco, numa área restrita à Mata Atlântica Nordestina nos estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco. Essa espécie permaneceu um mistério para a ciência por séculos, até a publicação do artigo científico com a sua redescoberta, em julho de 2006. Até o momento foram encontradas oito populações do macaco, com estimativa total da população de 180 indivíduos. O tamanho habitual dos grupos é de 18 indivíduos com número maior de fêmeas do que de machos. Os macacos-prego são quadrúpedes arbóreos (que se deslocam sobre quatro pés pelas árvores), que são normalmente encontrados na parte inferior de dosséis e sub-bosques. Alimentam-se de uma grande variedade de frutos, sementes, insetos e artrópodes (aranhas), sapos, filhotes e até pequenos mamíferos. A alimentação é completada por caules, flores e folhas. Entre as principais ameaças que sofrem estão a caça para alimento e para animais de estimação e perda e fragmentação de hábitat, principalmente por causa do desenvolvimento costeiro e da expansão da cana-de-açúcar. Pesquisas ainda são necessárias para estabelecer as preferências de hábitat, para conhecer áreas de ocupação e os números de população.

                                                                     

O pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa) distribui-se entre os estados do Rio Grande do Norte e Alagoas, e é uma das mais belas espécies de aves brasileiras, endêmica do Centro Pernambuco, ocorrendo apenas na Mata Atlântica nordestina, ao norte do rio São Francisco, entre os Estados do Rio Grande do Norte e Alagoas. Alimenta-se essencialmente de frutas, aparentemente prefere áreas ricas em Melastomataceae (da família da Quaresmeira), e também de pequenos artrópodes (como aranhas). Frequenta bandos mistos, podendo também ser visto em grupos ou pares. Pouco se conhece sobre o seu comportamento reprodutivo, sendo reportados ninhos construídos em bromélias, no mês de janeiro. Frequenta tanto o interior quanto a borda das florestas, sejam primárias ou secundárias, e parece tolerar um certo grau de perturbação em seu ambiente. A brutal perda de hábitat – só restam cerca de 2% de seu hábitat original – e a intensa captura para o mercado ilegal de aves silvestres são suas principais ameaças. Atualmente é encontrado no Parque Estadual (PE) Dunas de Natal e PE Mata do Pau Ferro, RN; RPPN Frei Caneca, Reserva Ecológica Brejo dos Cavalos, EE Charles Darwin, REBIO de Saltinho e Reserva Estadual do Gurjaú (PE); EE de Murici e REBIO de Pedra Talhada (AL).


O limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) é endêmico do Nordeste do Brasil, só ocorre ali e em nenhum outro lugar do mundo. Distribui-se entre os estados de Pernambuco e Alagoas. Hoje só se encontra na Estação Ecológica de Murici, em Alagoas, e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Frei Caneca, em Pernambuco. Ela é considerada uma das aves mais ameaçadas da região neotropical. Possui uma coloração vermelho-tijolo-escura. A espécie alimenta-se de insetos e artrópodes (como aranhas) capturados na copa das árvores, em troncos e folhas secas enroladas de bromélia. Formam bandos mistos compostos por espécies que vivem nas copas e extratos mais altos da floresta. A falta de informação recente sobre a presença da espécie na Estação Ecológica de Murici, em Alagoas (localidade tipo) é preocupante. Na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Frei Caneca, em Pernambuco a ave é vista com relativa frequência, tanto solitária como em bandos com várias outras espécies. A destruição/alteração de hábitats e desmatamento são as ameaças mais sérias à conservação da espécie.




Corredor Jalapão-Oeste da Bahia


A arara-canindé ou arara-de-barriga-amarela (Ara ararauna) é uma arara que ocorre da América Central ao Brasil, à Bolívia e Paraguai. Tal espécie chega a medir até 90 cm de comprimento, com partes superiores azuis e inferiores amarelas e o alto da cabeça verde.  As araras-canindé na natureza se alimentam de frutos e castanhas. Essas aves estão sempre em grupo e são aves barulhentas. Uma vez que formam casal, não mais se separam. A fêmea bota  cerca de 3 ovos que chocam entre 27 e 29 dias. A arara-canindé enfrenta vários problemas em relação à extinção, sofrendo ameaças principalmente pelo contrabando e pelo comércio ilegal de aves. Em cativeiro, vive aproximadamente 60 anos.



O lobo-guará, nome derivado do tupi agoa'rá, "pêlo de penugem" (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo nativo da América do Sul. A sua distribuição geográfica estende-se pelo sul do Brasil, Paraguai, Peru e Bolívia a leste dos Andes, estando extinto no Uruguai e talvez na Argentina, e é considerado uma espécie ameaçada. O Brasil abriga o maior número de animais; dos cerca de 25 mil indivíduos da espécie, cerca de 22.000 estão em território brasileiro. Os biomas de sua ocorrência no Brasil são: Cerrado, Pantanal, Campos do Sul, parte da Caatinga e Mata Atlântica. O lobo-guará mede cerca de 1 metro e pesa entre 20 e 25 kg. A sua pelagem característica é avermelhada. Ele caça preferencialmente de noite, comendo pequenos mamíferos, roedores e aves, mas também se alimenta do fruto da lobeira, que precisa do lobo-guará para se reproduzir.


O tamanduá-bandeira, também conhecido como urso-formigueiro-gigante ou papa-formigas-gigante (Myrmecophaga tridactyla) é um mamífero encontrado nas Américas Central e do Sul, que encontra-se atualmente ameaçado de extinção. Um tamanduá-bandeira adulto pode atingir 40 kg de peso e um comprimento de 1,80 m, incluindo a cauda. Possui coloração cinza acastanhada, com uma banda preta que se estende do peito até a metade do dorso, cauda comprida e peluda, focinho longo e cilíndrico, pés anteriores com três grandes garras e pés posteriores com cinco garras pequenas. Ele alimenta-se de formigas e cupins, capturados pela língua comprida e aderente.


A ema (Rhea americana) é considerada a maior ave brasileira. Um macho adulto pode atingir 1,70 m de comprimento e pesar até 36 kg. A envergadura pode atingir 1,50 m de comprimento. As emas apresentam plumagem do dorso marrom-acinzentada, com a parte inferior mais clara. Apesar de possuir grandes asas, não voa. Usa as asas para se equilibrar e mudar de direção na corrida. A ema é onívora, e a sua alimentação constitui-se de sementes, folhas, frutos, insetos, moluscos, lagartixas e rãs, entre outros. O macho constrói o ninho onde de três a seis fêmeas depositam seus ovos. Cada fêmea pode produzir de 10 a 30 ovos. O macho fica responsável por chocar os ovos e cuidar dos filhotes, que atingem a maturidade sexual em dois anos.


Para mais informações:


Marcele Bastos – (31) 3261-3889 – m.bastos@conservacao.org

Gabriela Michelotti - (61) 3224-2491 – g.michelotti@conservacao.org

Fonte:Conservação Internacional

domingo, 1 de maio de 2011

Reduzir corrupção é vital para proteger meio ambiente, diz relatório

Foto:Divulgação





LONDRES (Reuters)
Os mecanismos para a luta contra a mudança climática devem ser fortalecidos e ter maior transparência a fim de reduzir os crescentes riscos de corrupção, afirmou a Transparência Internacional (TI) em um relatório divulgado neste sábado.
O relatório intitulado "Corrupção Global: Mudanças Climáticas" foi elaborado com contribuições de mais de 50 especialistas e determinou que um monitoramento mais efetivo é necessário nos países que enfrentam maior impacto do aquecimento global, o que faria com que as políticas funcionem corretamente.
No ranking do grupo, sediado em Berlim, sobre as nações com maior risco de corrupção, no qual 0 significa extremamente corrupto e 10 equivale a "muito íntegro", nenhum dos 20 países afetados pelas mudanças climáticas, especialmente na África e no sul da Ásia, obteve pontuação superior a 3,5.
O relatório considerou que o Afeganistão possui o maior risco de corrupção com uma pontuação de 1,4, enquanto a Tailância obteve nota de 3,5.
Espera-se que os investimentos totais para combater as mudanças climáticas se aproximem de 700 milhões de dólares em 2020.
"De onde fluem novos fluxos de dinheiro por meio de mercados e mecanismos novos, sempre existe o risco de corrupção", assinalou o relatório da TI.
Os riscos de corrupção são altos devido à complexidade, à incerteza e à falta de experiência com muitos temas vinculados ao aquecilmento global e à proteção do meio ambiente, disse o relatório.
(Reportagem de Nina Chestney)
Fonte: Reuters e Yahoo

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Zoneamento de MT será analisado pelo Conama na próxima semana

Foto: Divulgação

Ambientalistas criticam lei sancionada pelo governo do Estado.
Ministério Público questiona legalidade do zoneamento



A lei que trata do Zoneamento Socioeconômico Ecológico (ZSEE) de Mato Grosso segue na próxima semana para análise da Comissão Nacional de Zoneamento e Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). O órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente vai avaliar se a lei não fere princípios federais. O texto será encaminhando pelo governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, assim que ele retornar de uma viagem ao exterior.
A lei do Zoneamento foi sancionada pelo governador e publicada no Diário Oficial do Estado no dia 25 de abril. O projeto do Zoneamento foi aprovado em fevereiro pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa com os ajustes técnicos considerados inconstitucionais pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) e técnicos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
Em dezembro de 2010, a proposta foi enviada ao Executivo para ser sancionada. No entanto, voltou à Assembleia Legislativa para ajustes após a verificação de erros que poderiam ser questionados futuramente na Justiça travando um embate jurídico com ambientalistas. Isso porque a proposta de ordenamento territorial libera para atividades de agricultura e pecuária uma extensão extra de terra de 156 mil quilômetros quadrados como também a exclusão de 14 das 70 terras indígenas identificadas no projeto inicial, avanços em áreas de necessidade de proteção aos recursos hídricos, ampliação do espaço destinado à atividade mecanizada e a redução do número de áreas que poderiam se tornar unidades de conservação.

Ação contra o zoneamento
Um grupo de trabalho formado por representantes do Ministério Público Estadual, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e entidades não-governamentais vai elaborar um estudo técnico sobre o a lei do zoneamento. O trabalho servirá de subsídio ao Ministério Público para propor uma ação civil pública, com pedido de liminar, visando a anulação da referida lei.
De acordo com o promotor de Justiça Domingos Sávio de Barros Arruda, a previsão é que a análise seja concluída no prazo de 10 dias. O Ministério Público Estadual já requisitou da Casa Civil cópias dos anexos do zoneamento que incluem mapas em meio físico e digital. “A partir desse material será feito um estudo que servirá de base para ingressarmos com as medidas judiciais cabíveis visando a anulação da lei”, adiantou o promotor de Justiça.
Segundo ele, antes mesmo de uma análise mais criteriosa, já é possível verificar alguns pontos questionáveis no zoneamento. Como exemplo, ele citou a autorização para plantio de cana-de-açúcar na Bacia do Alto Paraguai e na Floresta Amazônica e a flexibilização na recomposição da reserva legal.

  Fonte: G1 Mato Grosso

terça-feira, 26 de abril de 2011

Congresso apresenta novos paradigmas para Sustentabilidade

Evento nacional terá a presença da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira



Foto:Divulgação
 Novos rumos para a sustentabilidade: este é o tema que vai nortear o IV Congresso Nacional de Responsabilidade Socioambiental, que será realizado nos dias 20 e 21 de maio no Teatro Ouro Verde, em Londrina. Especialistas em resíduos, águas, economia de baixo carbono, saúde, segurança no trabalho vão discutir esses e outros temas ligados à responsabilidade socioambiental com um público formado por gestores públicos, diretores de ONGs e OSCIPs, engenheiros de segurança e meio ambiente, agrônomos, empresários, educadores e estudantes.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, vai proferir a palestra de abertura, sobre sustentabilidade, às 20 horas do dia 20. A palestra de encerramento, “O papel do Brasil nas políticas de mudança climática”, será proferida no dia seguinte por José Domingos Gonzáles Miguez, coordenador geral de Mudanças Globais do Clima do Ministério da Ciência e Tecnologia e, desde 1999, secretário executivo da Comissão Interministerial da Mudança Global do Clima.

O congresso é promovido pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD/PR), com patrocínio da companhia aérea TAM. O preço das inscrições varia de R$ 90 a R$ 250. O valor do investimento, a programação completa e o perfil dos palestrantes podem ser encontrados no site http://www.cnrs.com.br/.



fonte: organização

sábado, 23 de abril de 2011

Novas hidrelétricas podem prejudicar ciclo das águas no Pantanal

Cheias e vazantes dependem da livre circulação dos rios.
Ministro argumenta que planejamento elétrico precisa ser cumprido.

foto:Embrapa Pantanal







O Pantanal vive dos rios que descem do Planalto Central do Brasil. A água se espalha pela planície em riozinhos - chamados corixos - baías e lagoas, antes de escoar para o Rio Paraguai. E é essa água, que passa devagar pela região, que proporciona a abundância de vida no Pantanal.
A passagem da água é lenta por uma razão: o Pantanal é praticamente plano. Em uma distância de um quilômetro na direção Norte -Sul, o declive é de 3 a 5 centímetros apenas.
Quando chove nas cabeceiras dos rios, o Pantanal enche. Na estiagem, ele seca. “O que é a vida do pantanal? É o que chamam de pulso. É a variação entre a seca e a cheia. Então, quanto mais pulsa, quanto mais varia, melhor”, resume o fazendeiro pantaneiro Armando Arruda Lacerda.
As hidrelétricas planejadas para região podem mudar essa característica? O pantaneiro acha que sim. Ele teme pela sobrevivência dos peixes.
“É o grande berçário, se você descer ai embaixo você vai ver que é um berçário, você vai ver todas as espécies de peixe em... tamanho pequeno, vamos dizer assim. E é isso que alimenta...vai realimentar toda a indústria do turismo de pesca, todo o restantes lá dos rios. Esse peixe cria aqui e vai para o rio”, explica Lacerda.
O corixo não é fundo e provavelmente fica seco durante parte do ano. Quando enche, os peixinhos encontram todos os alimentos de que precisam para crescer. Parece um aquário: corimbatás, piaus, piraputangas, lambaris, piranhas, cascudos e uma arraia que, com astúcia, tenta se esconder.
Quando adultos, os peixes criados no corixo sobem os rios para a área de reprodução. Só não chegam lá quando encontram obstáculos: uma cachoeira alta ou uma usina.

Rio Coxim
Uma das hidrelétricas em estudo fica no Rio Coxim, um dos melhores pontos de pesca de Mato Grosso do Sul. O marco mostra onde o rio seria cortado pela barragem.
Se a usina for aprovada, o reservatório vai cobrir a Cachoeira dos Quatro Pés. O pescador Tião está revoltado: “Tudo debaixo da água. Aqui vai virar uma represa de 300 a 400 hectares. Todas essas pedras aqui vão pegar a inundação"
O engenheiro Dorival Gonçalves Jr, professor da Universidade Ferderal de Mato Grosso, acha que o custo ambiental não compensa os benefícios.
"Itaipu o ano passado verteu cerca de 400 mW médios. Se a gente somar todo o potencial das bordas do Pantanal não vai alcançar isso", diz.


Pequeno porte


Das 62 hidrelétricas previstas para a região nos próximos nove anos, só uma é de grande porte. As outras são pequenas centrais com produção irrisória. Se todas forem construídas, irão contribuir com apenas 1,33 % da energia hidrelétrica gerada no país.
E o período em que elas mais produzem é exatamente quando grande parte das usinas brasileiras estão com os reservatórios cheios, jogando água em excesso pelos vertedouros.
Para o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o Brasil não pode abrir mão de qualquer potencial energético, mesmo que pequeno: “Se nós abdicamos daqui, abdicamos dali, abdicamos de acolá, sob os mais diferentes argumentos - ainda que alguns deles procedentes, como é o caso, por exemplo, do Pantanal (...) vamos acabar não cumprindo o nosso planejamento energético brasileiro”.

fonte:Do Globo Natureza, com informações do Jornal Nacional

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sistemas agroflorestais podem recuperar solos degradados


Foto:Divulgação


O capixaba Miguel Cavalini Calvi trocou a cultura do café no Espírito Santo por uma propriedade de 200 hectares para produzir gado na região da Transamazônica, no Pará, em 1989. Quando chegou à região, a propriedade já estava com metade da área desmatada e hoje a mata não chega a 15%. Nesses anos, Calvi conseguiu criar os três filhos, dois deles já com curso superior, mas tem visto a produtividade de sua terra cair, sem ter mais terra para abrir, como acontece com a maior parte de seus vizinhos.
Como voluntário de um programa da Universidade Federal do Pará, em Altamira, passou a receber estudantes de agronomia, que passam uma semana na casa de agricultores familiares a cada ano.Também com os filhos formados em ciências naturais e agrárias, senhor Miguel, como é conhecido, começou a perceber que a maneira como se lida com a terra na região poderia não ser a ideal. “Acontece que uma terra desmatada há 30 anos, com gado em cima, é muito difícil de ser recuperada”, disse.
Foi assim que topou a proposta de participar do projeto de recuperação de áreas degradadas através de Sistemas de Agroflorestas (SAFs), onde o cacau é plantado em consórcio com outras espécies nativas com potencial econômico. Desenvolvido pelo IPAM, em parceria com a Universidade Federal do Pará e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), o projeto envolve 15 núcleos, nos municípios de Uruará, Medicilândia, Altamira e Anapu, cada um com cinco agricultores. Em cada núcleo, a equipe do projeto faz o plantio de 3.300 pés de cacau numa área de 3 hectares.

Espécies consorciadas
Com financiamento da Petrobras, o projeto está terminando os plantios de cacau, associado a espécies como banana, mandioca e feijão guandu. A ideia é que, após o crescimento do cacau (o que leva aproximadamente três anos), se introduza pelo menos seis espécies nativas da Amazônia e de interesse econômico, como mogno, castanha-do-pará, taperebá, ipê-roxo, ipê-rosa, cumaru, andiroba, jenipapo, copaíba e açaí.
Segundo Sebastião Augusto, professor da Universidade Federal do Pará e responsável técnico do projeto, se espera, ainda, que haja uma regeneração espontânea com outras espécies, que também serão incluídas no SAF. “Queremos recuperar área de pasto degradado transformá-la em agrofloresta. Para que isso aconteça, a primeira coisa é reflorestar. No entanto, o agricultor precisa ter renda e o cacau é uma alternativa”, disse.
Augusto afirma, ainda que a ideia é que o agricultor vá ampliando a área de SAF e a anexe às suas áreas ainda florestadas. “É uma alternativa para a região, que tem um passivo ambiental muito grande e precisa se adequar às leis ambientais”, explica o professor.

Passivo ambiental
Segundo Augusto, o projeto partiu de uma demanda dos próprios agricultores, levantada pelos alunos da universidade durante seus trabalhos de campo. “O primeiro ponto é o passivo ambiental. Quando chegaram aqui, os produtores desmatavam para plantar mandioca e conseguiam mais de 100 sacas de farinha em um hectare. Hoje, com o desgaste do solo, conseguem apenas de 30 a 40 sacas”, explica
O desafio é conseguir, a partir dessa experiência pioneira, trabalhar com os latossolos ácidos e de baixa fertilidade da região. “Havia resistência de plantar cacau nessa área. Um agricultor havia plantado 2.500 pés e mais de 50% estava morrendo em um ano. Começou a procurar informação e passamos a pensar em uma maneira de resolver. Pedimos para abrir área para pesquisa em 2004 e começamos o trabalho, que foi a base para o projeto atual.
O projeto conta, também, com a coordenação técnica do professor Índio Campos, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea) da Universidade Federal do Pará, e com apoio da Ceplac, que além do conhecimento técnico, fornece sementes melhoradas. A coordenação geral do é do IPAM e envolve técnicos e estudantes de agronomia da UFPA.
Nos planos do agricultor Miguel está, também, fazer irrigação em sua plantação e chegar a 4.500 pés de cacau. Se conseguir o retorno que espera, pretende diminuir ainda mais a área de pastagem – já está substituindo o gado de corte pelo leiteiro – e plantar milho, cana e um pouco de café. “Quero diversificar. Estou deixando de roçar nas nascentes e próximo aos igapós. Sei que preciso reflorestar”, disse o agricultor.

http://www.ipam.org.br/

Entra em vigor lei que proíbe sacola plástica em BH

* Priscila Trindade
 
Foto: Divulgação
Entra em vigor hoje a Lei 9.529/08, que determina a substituição de sacolas plásticas convencionais por produtos ecológicos em lojas e supermercados de Belo Horizonte (MG). A medida vale para farmácias, supermercados, lojas e padarias.
A legislação foi publicada no Diário Oficial do Município no último dia 13. Os consumidores poderão comprar as sacolas biodegradáveis, que causam muito menos danos ao meio ambiente, mas são mais caras do que as de plástico. A expectativa é de que cerca de 450 mil sacolas plásticas deixem de ser consumidas por dia na cidade.

De acordo com o texto da lei, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente ficará responsável por fiscalizar o cumprimento da norma. Os estabelecimentos que não respeitarem a regra receberão multa R$ 1 mil, dobrada em caso de reincidência. Se a irregularidade persistir, o estabelecimento poderá ser interditado e até mesmo ter o alvará de localização e funcionamento cassado.

Discussão

A cobrança das sacolas em supermercados do município será discutida em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor, no dia 26. Participarão da reunião representantes do Procon Municipal, Fundo Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor e Associação Mineira de Supermercados.

* Agência Estado